logo

Destaque

“JUST INSPIRE ME”

Fábio Bernardo 22/09/2020 às 21:27

Thayse Gomes é o nome quando se pensa em fotografia de moda, beleza e no universo feminino, na Paraíba… Tudo ao redor inspira a top fotógrafa que celebra os primeiros 12 anos de sucesso com ensaio “by herself” e sua marca registrada, a de extrair o melhor através das lentes.
No nosso bate-papo exclusivo, uma imersão na arte e no cotidiano da estrelada profissional, dona e proprietária de uma das agendas mais concorridas do segmento…


FB – VAMOS VOLTAR NO TEMPO… COMO TUDO COMEÇOU?

THAYSE – Sempre fui muito inspirada pelo movimento da arte, desde muito cedo me deslumbrava pelo universo lúdico que rondava o meu mundo. Fui uma criança do interior, livre e de muita imaginação. Vim morar na “cidade grande” e aos 12 anos entrei em uma companhia de teatro que aflorou ainda mais os meus processos criativos. Aos 18 anos, descobri o universo da fotografia de moda e aos 19 anos comecei a trabalhar com isso.
Hoje, quando olho para trás, percebo o quanto tudo o que vivi foi importante para o processo de quem sou e minha arte.

FB – O QUE MAIS TE ENCANTA NA ARTE DO SEU TRABALHO?

THAYSE – Me encanta o quanto eu consigo trazer da minha essência para minha arte. Me encanta poder extrair o belo que cada pessoa tem dentro de si. Fazer daquele momento único e eterno. Extrair a melhor versão dessas pessoas vem para mim quase como uma missão, sabe? Fazer com que tudo que existe nelas fale, grite, traduza o que elas sentem e são. Cada pessoa é um mundo e poder usar da minha identidade a extração desse mundo é uma satisfação que não consigo descrever, apenas sentir e exercer o melhor de mim.

FB – VOCÊ TEM UM TRABALHO LINDO COM AS GRÁVIDAS… COMO TRADUZ ESSA LIGAÇÃO?

THAYSE – Meu trabalho com as grávidas veio como consequência do trabalho que já realizava antes. Veio da vontade de trazer uma nova linguagem para esse universo que, na minha percepção, deixava muito a desejar com as referências de ensaios já existentes.
O ser mulher sempre foi divino pra mim. Somos seres de delicadeza e bravura inexplicáveis. Estamos ali gerando uma vida, nos modificando fisicamente e psicologicamente, transformado inseguranças em forças, medos em coragem, sonhos em realidade, e ver tudo isso acontecer é tão único e revolucionário que me veio a necessidade de olhar com mais paixão e trazer a beleza que existe por trás de nós mulheres nessa fase. A mulher é um ser naturalmente sensual, suas curvas, suas expressões, seus detalhes, e extrair delas a sua melhor versão nesse momento para mim é essencial.

FB – O QUE MAIS TE INSPIRA PARA REALIZAR O SEU TRABALHO?

THAYSE – Eu tenho uma frase que desenvolvi tatuada no meu pescoço e estampada em uma das paredes do meu estúdio que diz “ just inspire me“ (apenas inspire-me), sinta o que tenho de melhor e me deixe sentir o que tens de melhor. Acredito que a vida é isso, uma grande troca. De histórias, ideias, vivências e sobretudo paixão. A paixão pelo que faço transcende, vai muito além do que apenas exercer uma profissão. Ela me provoca um auto conhecimento constante, seja através de cada pessoa que passa por minhas lentes, seja pelos trabalhos experimentais e artísticos que faço, e é sobre essa troca que vivo, que me realizo.

FB – QUEM OU QUAIS SÃO AS SUAS REFERÊNCIAS NO MUNDO DA FOTOGRAFIA?

THAYSE – Tudo o que faz parte do nosso mundo nos acrescenta como referência de alguma forma.
Costumo dizer que sou uma esponja, absorvo tudo o que vem, tudo me soma, seja de forma positiva ou negativa. Tiro ensinamentos de tudo, tanto do que nunca fazer como do que fazer.
Meus conhecimentos e inspirações vêm de todos os lados, estilos, pessoas, filmes, fotógrafos, livros, viagens… Da alta renascença de Michelangelo a Toulouse-Lautrec do pós-impressionismo na história da arte; De Lars von Trier e seus clássicos filmes chocantes no cinema a Hilda Hilst, dramaturga brasileira e sua poesia.
Na fotografia me vem Guy Aroch e suas imagens cheias de intervenções a Tim Walker e seus retratos icônicos na fotografia de moda; Otto Stupakoff pioneiro na fotografia de moda no Brasil e seus retratos com ojeriza a fotos posadas a Annie Leibovitz e suas imagens lúdicas, na fotografia artística. As referências são inúmeras e o sentimento um só: a vontade de criar.

FB – COMO FUNCIONA O SEU PROCESSO CRIATIVO NAS MADRUGADAS?

THAYSE – Sou notívaga desde que me entendo por gente. Minha rotina e hábitos já fazem parte de uma realidade que me veste confortavelmente de forma que me sinto mais à vontade para lidar com meus processos. O silêncio da madrugada deixa em sincronia meus pensamentos e assim me sinto livre para criar. Morar literalmente dentro do meu ambiente de trabalho, do meu universo, me traz inspirações inexplicáveis. Estar rodeada de tudo que me motiva se torna algo tão espontâneo que meus processos criativos fluem de forma – figuradamente falando-visceral, profunda. Sendo assim, como não ser completamente apaixonada pela madrugada?(risos)

FB – COMO VOCÊ ADMINISTRA AS QUESTÕES DOS PADRÕES DE BELEZA E A BUSCA PELA PERFEIÇÃO NAS IMAGENS DAS SUAS FOTOGRAFADAS?

THAYSE – O belo para mim existe em todas as pessoas. Buscar nelas o que existe dentro e extrair é o que mais me motiva a fazer acontecer na minha fotografia. É tão especial saber que a procura delas por mim se resume a isso. É tão importante olhar para cada uma das minhas clientes com carinho e fazer por elas o melhor que eu posso oferecer, que a consequência disso tudo não poderia ser outra além da perfeição delas serem quem elas são através da minha visão.

FB – COMO A POESIA FAZ PARTE DA SUA VIDA, DO SEU DIA A DIA?

THAYSE – Minhas paredes são repletas de livros de poesia… Quem já foi aos meus estúdio sabe da veracidade que a poesia existe em minha vida.
São Anas, Hildas, Fernandos, Nelsons, Augustos, Clarices, Alices, Machados, Coras…
Mas sem regras: poesia para mim é tudo o que sentimos ser poesia. Meus olhos percorrem detalhes no meu dia a dia que veem poesia em tudo e “isso diz muito sobre o conteúdo da minha caixa torácica”. Isso diz muito sobre a sensibilidade e carinho que temos pelas coisas fugazes e pelas mais eternas da vida.

FB – VOCÊ GOSTA DE SE AUTO FOTOGRAFAR… COMO CONSEGUE FAZER TUDO SOZINHA?

THAYSE – A necessidade fez de mim a extração dessa habilidade. Meus processos criativos vinham e ali nas madrugadas só tinham eu e a mim. E como deixar passar esse turbilhão criativo? Não se deixa. Quando não tinha equipamentos suficientes, usava pilha de livros para se fazer de tripé e colocar a câmera acionada no tempo para me fotografar. Hoje com tripé e controle remoto o processo se tornou mais fácil, porém, não menos sentido. É um momento único e especial, de autoconhecimento e processo. É lindo me encontrar na frente das minhas lentes e me reconhecer no que vejo.

FB – QUAIS AS EVOLUÇÕES QUE VOCÊ CONTABILIZA COMO PROFISSIONAL NESSES PRIMEIROS 12 ANOS DE TRABALHO?

THAYSE – Um amadurecimento da espécie. Hoje somos, amanhã somos mais. Vivo em constância. Procuro sempre estar me superando. Ultrapassar os meus limites de forma cuidadosa, sem prostituir o que é sagrado em mim. Não se trata da quantidade e sim da qualidade, não se trata do dinheiro e sim da paixão. A consequência do que fazemos por amor vem. É sobre respeitar a minha arte e o que ela proporciona para mim e para os meus. Ser meu próprio desafio sempre! Essa é a evolução que contabilizo durante todos esses anos.

Thayse Gomes By Herself
Beleza Renata Pinto
Styling Vitor Zerbinato para Maison A